ISO 11612: o que é, como funciona e como escolher o EPI certo para proteção térmica
- Ville Equipamentos
- 8 de jun.
- 3 min de leitura
Quando o assunto é proteção contra calor e chamas no ambiente industrial, escolher o EPI certo não é questão de preferência — é questão de norma. E a ISO 11612 é a referência internacional que define exatamente o que uma vestimenta de proteção térmica precisa entregar.
Se você atua em segurança do trabalho, compras ou gestão industrial, este artigo explica o que a norma exige, como interpretar seus códigos de desempenho e como aplicar isso na hora de especificar ou homologar um EPI.
O que é a ISO 11612?
A ISO 11612 é a norma internacional que estabelece os requisitos mínimos de desempenho para roupas de proteção contra calor e chamas. Ela se aplica a ambientes onde o trabalhador está exposto a:
Calor por convecção (ar quente)
Calor por radiação (superfícies quentes ou fontes de calor irradiante)
Respingos de metal fundido (alumínio ou ferro)
Contato direto com superfícies aquecidas
Propagação de chama
É amplamente utilizada em setores como siderurgia, fundição, petroquímica, soldagem e papel e celulose.
Como a norma classifica o desempenho?
A ISO 11612 avalia a vestimenta em seis categorias independentes, cada uma com níveis de desempenho numerados. O EPI não precisa atender a todas — ele deve atender às categorias relevantes para o risco ao qual o trabalhador está exposto.
Código | Risco testado | Níveis |
A | Propagação limitada de chama | A1, A2 |
B | Calor convectivo | B1, B2, B3 |
C | Calor radiante | C1, C2, C3, C4 |
D | Respingo de alumínio fundido | D1, D2, D3 |
E | Respingo de ferro fundido | E1, E2, E3 |
F | Calor por contato | F1, F2, F3 |
O código A é o único obrigatório — toda vestimenta certificada pela ISO 11612 precisa passar no teste de propagação de chama. Os demais são complementares e dependem do perfil de risco.

Exemplo prático: uma jaqueta para soldador em processo MIG/MAG pode ter certificação A1 B1 C2 E2, indicando que ela foi testada e aprovada em chama, calor convectivo nível 1, calor radiante nível 2 e respingo de ferro fundido nível 2.
ISO 11612 e a realidade da indústria brasileira
No Brasil, a NR-6 exige que todo EPI comercializado tenha Certificado de Aprovação (CA) emitido pelo Ministério do Trabalho. Para roupas de proteção térmica, a certificação nacional geralmente referencia as exigências da ISO 11612 ou da norma ABNT equivalente.
Isso significa que, ao especificar uma vestimenta de proteção térmica, você deve:
Mapear os riscos reais da operação (quais tipos de calor o trabalhador está exposto)
Identificar os códigos ISO 11612 necessários para aquele perfil de risco
Verificar se o EPI tem CA válido e se a certificação cobre os códigos exigidos
Confirmar a integridade do EPI antes de cada uso — a proteção diminui com o desgaste e lavagens inadequadas
Erros comuns na hora de especificar
Comprar pelo preço, não pelo código. Duas vestimentas podem ter CA e chamar-se "térmicas", mas uma entrega A1 B1 e outra A2 B3 C3. Para ambientes de fundição, a segunda pode ser a diferença entre um acidente leve e um acidente grave.
Ignorar o risco de respingo. Muitas especificações focam em calor radiante e esquecem o código D ou E. Em fundições e siderurgias, o respingo de metal fundido é frequentemente o maior risco.
Não considerar a vida útil. A ISO 11612 certifica o produto novo. O desempenho cai conforme o uso. Um programa de inspeção e substituição periódica é parte obrigatória da gestão de EPIs térmicos.
Como a Ville aplica isso nos seus produtos
Alguns EPIs da Ville são desenvolvidos e certificados com base nas exigências da ISO 11612, com rastreabilidade dos códigos de desempenho por produto. Isso permite que o comprador e o técnico de segurança façam a especificação correta para cada operação — sem achismo, sem superdimensionamento, sem risco descoberto.




